Saímos de São Luís às 6:00 do sábado (09/10/99). Ao meio-dia já
estávamos em Tutóia (o carrinho de motor 1.6 fez 11Km/L com o ar-condicionado ligado).
Chegamos com a maré já enchendo, mas mesmo assim ainda dava tempo de atravessar toda a costa que envolve a cidade até encontrar o rio que divide Tutóia com Paulino Neves (outra cidade próxima).
Pescadores disseram que com a maré cheia, as ondas do mar chegam a 6 metros, as maiores do nordeste. Não esperei para conferir, pois senão perderia a maré ainda baixa (ainda iríamos a Barreirinhas, cidade de entrada aos Lençóis Maranhenses).
| Voltamos a Tutóia, almoçamos um peixe pedra assado (maravilhoso!) e às
16:00h saímos em direção a Paulino Neves. 50 Km de estrada de barro com alguns trechos com bancos de areia não compactada, mas tudo normal. Atravessamos uns 5 riachos enquanto outros 4 tinham velhas pontes de madeira. Às 18:00h em Paulino Neves, procuramos por Pedro Enésio, proprietário de uma Toyota Bandeirante Longa, que fazia o trajeto entre Paulino e Barreirinhas. Ele seria nosso guia pois a trilha agora mudaria para melhor: dunas e trechos completamente atoláveis (morrarias, como chamado pelos nativos). Foram 3 horas apenas em 1ª e 2ª marchas. A reduzida somente foi usada para sair de atoladas. Uma delas foi muito forte, e tivemos que ser rebocados pela Band. Na verdade a própria Band foi a causadora do atoleiro: como somente elas dominam a área, a bitola deixada nas morrarias é muito alta, e o Grand Vitarinha praticamente ficou suspenso no ar. Não dava para sair do caminho; a mata era fechada, sem espaço para manobras. Era acelerar o máximo nas retas e rezar nas curvas, a questão era não perder muita tração, e sair da curva prontos para mais bitola alta. Às 21:30 chegamos em Barreirinhas, após 60Km de morrarias, e 2 atoladas. Encontramos poucos turistas e pousadas vazias. Ficamos esta noite na pousada Lins. Quarto com ar/televisão/banheiro por R$ 34,00. Saímos para jantar uma peixada deliciosa, e conhecer um pouco da bela cidade de Barreirinhas, banhada pelo Rio Preguiça. Falando no rio, fomos dormir para acordar as 9:00. Contratamos o guia Fernando "Maduro", um moleque de 19 anos que nos iria levar aos lençóis. Atravessamos o Rio Preguiça de balsa e começamos novamente a usar a 1ª e 2ª marchas. Tiveram trechos que deu para passar até a 4ª. Dunas, morrarias, galhos arranhando o Vitarinha, e "Maduro" foi contando alguns causos (nenhum deles comprovadamente confirmados):
Deixando as fofocas de lado, já estávamos próximos de chegar às dunas, após mais uma atolada, lógico. Desta vez uma Band parou para ajudar e também ficou, coitada. Cada equipe cuidou do seu carro e logo estávamos nas dunas. Demos umas voltas em algumas delas e logo chegamos à Lagoa Azul, um grande lago no meio das dunas formado por águas de chuva. Água geladíssima. Aproveitamos para tomar outra geladíssima. Muita, mas muita areia, e mais vento ainda. Boca fechada e olhos entreabertos, senão o carro fica mais pesado para a volta. Agora sei porque no deserto se usa aqueles lençóis enrolados em volta do rosto. Voltamos a cidade e às 13:00h saímos de volta para São Luís, desta vez pelo caminho oficial: pelas cidades de Urbano Santos e Vargem Grande. |
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Alexandre Costa
São Luís - MA
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