"Ushuaia 99 - Parte 6"
A viagem dia-a-dia (08/01 - 09/01)
08 - Puerto Madryn - Calleta Olivia -Acidente - Bosque Petrificado.
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Não desconfiávamos que ainda iriamos voltar para aquela cidade em situação
meio trágica. Seguimos ao longo da costa, com o GPS marcando - 50 m de altitude e
indicando que estávamos no meio do mar (me senti em um submarino !). Quando encontramos
as primeiras placas indicando o Bosque Petrificado nos animamos e começamos a conversar
pelo rádio. Encontramos a entrada da estrada de ripio, paramos para engatar a
roda-livre porque havíamos percebido que usando o 4x4 ficava mais seguro andar no ripio.
Entramos na estrada e nos alegramos que havia uma placa indicando " Camping La
Paloma" a 20 km. Há um camping dissemos todos ao mesmo tempo pelo rádio. Nosso
plano era ir ao Bosque Petrificado, fazer um passeio e retornar ao camping para dormir.
Apesar do tempo seco e da paisagem desolada e sem vegetação, esta estrada de ripio tinha
poças de lama em todas as baixadas e nos desviávamos delas. Eu ia a frente, pois a
Tércia estava sempre navegando, o JPX do Fernando e Tomaz em seguida, mais atrás o Neto
e o Enio fechando o comboio. Passamos por um bando de guanacos e demos uma
diminuída na velocidade para vê-los, acelerando em seguida. Estávamos todos alegres e
ansiosos para chegar ao camping e ao Bosque Petrificado e andávamos um pouco separados,
mas com o contato de rádio sendo mantido a todo tempo. Foi quando ouvi o Neto no rádio:
"Marco, volte que o Fernando capotou !" Foi um susto. |
Paramos o
carro e comecei a manobrar para voltar, perguntei como eles estavam. Ele ainda respondeu
que haviam saído do carro andando. E o carro?, perguntei. Já não tive resposta, o Neto
havia saído de seu carro para socorre-los. Quando voltamos nos deparamos com o JPX de
lado em uma subida leve, logo depois de uma das poças de lama. O Fernando atordoado e com
um ferimento leve na parte de trás da cabeça, o Tomaz ainda tonto pois ele estava
dirigindo no instante do acidente. O carro derrapou, entrou em pêndulo e capotou. Nos
dividimos em dois grupos, um atendia os meninos (Tércia, Rosa e Enio). O outro cuidou do
carro. Passaram alguns argentinos e pedimos para avisarem o guarda-parque. |
Estávamos a, pelo menos, 200 km de qualquer lugar, não havia telefone no
camping ou no parque e os nossos rádios PX não pegavam nada, mesmo abrindo todo o
"squelch". Desviramos o JPX, desligamos a bateria, trocamos um pneu que havia
soltado do aro durante (ou antes, nunca saberemos) a capotagem, desamassamos um pára-lama
que estava pegando no pneu dianteiro (o Neto usou o macaco hi-lift para isso), engatamos o
tow-bar (havíamos preparado um tipo de barra que serviria em qualquer um dos carros) no
JPX e na nossa Toyota. |
Durante
este tempo todo o Fernando ficou deitado se acalmando e o Tomaz catou as coisas espalhadas
pela estrada. Levamos o carro para o camping e tratamos de armar as barracas porque o
vento estava começando a ficar muito frio. Apesar da aridez e do isolamento, havia água
quente e pudemos tomar banhos relaxantes, comer algo quente e dormir. O tempo todo nos
sentíamos um pouco reconfortados porque insistimos com todos que não deveriam sair do
Brasil sem um seguro, e o Fernando havia feito o seu. |
Traçamos nossos planos, depois de conversar com o guarda-parques;
no dia seguinte iríamos visitar o parque e levaríamos os meninos para a cidade de
Calleta Olivia. Segundo o guarda-parques era o lugar com mais recursos nas redondezas e
ficava próximo a um aeroporto. De lá poderíamos telefonar para a companhia de seguro e
para a casa. |
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O Enio
aproveitou para trocar o pára-brisas de seu JPX. Enquanto eu fazia o rodízio dos pneus
em um borracheiro apareceu uma pessoa da TV local para fazer uma entrevista. O trocador de
óleo do posto YPF nos atendeu super bem. Depois de tudo resolvido, os meninos nos
disseram que o pessoal do seguro só os atenderia na segunda-feira (era sábado) e
decidimos tomar um bom banho, dar um passeio, fazer um último jantar da turma toda e
partir no dia seguinte. O Fernando e o Tomaz ficariam em Calleta Olivia para resolver os
trâmites do seguro e descobrir um jeito de voltar para o Brasil. O hotel era modesto. O
dono era um milanês que vivia há muitos anos na Argentina e se alegrou muito quando
descobriu que podia conversar em italiano comigo. O jantar também foi em um restaurante
modesto, mas a comida estava excelente e farta. |