Jipeiros do Pará se aventuram na Transamazônica

Em busca de aventura, um grupo de associados do Jeep Clube do Pará (JCP) parte com objetivo de realizar aquele que é um dos sonhos dos jipeiros: atravessar a Rodovia Transamazônica em veículos com tração nas quatro rodas (4x4).
Nesse período do ano, quando são intensas as chuvas na região, a rodovia pode ficar intransitável em alguns trechos e é atrás dessa emoção de superar desafios que os amantes de off-road partem.

A Expedição Transamazônica terá o patrocínio da Oi e da Sony Ericsson. Vinte e um carros saem de Belém no dia 3 de abril com destino a Santarém, no Oeste do Estado, tendo como principal desafio vencer as surpresas da rodovia.
Sobre ela, são recorrentes as matérias jornalísticas que mostram os problemas causados pela chuva para quem precisa atravessá-la. E são exatamente os atoleiros, o lamaçal e os buracos - que são sinônimos de dor de cabeça para a maioria dos motoristas - que atraem os jipeiros. A combinação de chuva e estrada precária forma o cenário ideal para a prática do off-road e instiga o espírito de aventura dos jipeiros.

Atentos à previsão do tempo para o Estado, os jipeiros do Jeep Clube do Pará estão na torcida por muita chuva para a semana santa na região da Transamazônica. "A proposta é transpor a rodovia e queremos enfrentar esse desafio. A rodovia é uma aventura não só pela extensão, mas pela dificuldade que é atravessá-la nessa época de chuvas", destaca Luis Otávio Rocha, presidente do JCP. Segundo Luis Otávio, a imprevisibilidade é o que há de atraente na rodovia. "Existe uma programação, mas vamos preparados para tudo. Levaremos equipamentos e os carros serão vistoriados porque não sabemos o que vamos encontrar", avisa. De Belém, os carros partem de balsa na terça-feira, dia 3, com chegada a Tucuruí prevista para 12h do mesmo dia, quando enfrentam as estradas da região. As paradas estão programadas para as cidades de Novo Repartimento, Altamira e Uruará, até a chegada a Santarém, no dia 6. A volta será no dia 8, de balsa para os veículos e via aérea para os pilotos.

Essa será a segunda Expedição Transamazônica realizada pelo JCP. A primeira, realizada em 2005, reuniu 14 veículos e 25 participantes. Foi quando o atual presidente do JCP, Luis Otávio Rocha, teve a chance de conhecer melhor a rodovia. "Conhecia apenas alguns trechos e foi uma experiência interessante. Fiquei surpreso ao ver como a rodovia é movimentada e tem bastante tráfego, bem diferente do que se imagina". Para ele, assim como para os jipeiros que farão o trajeto, essa expedição terá um diferencial. "Com a proposta de pavimentação das rodovias, feita pelo governo, pode ser que essa aventura não possa ser mais experimentada e vai ficar o orgulho de dizer: eu fiz a Transamazônica quando ela não era pavimentada". Pode ser apenas mais uma promessa governamental, mas os jipeiros preferem não se arriscar.

Jeep Clube do Pará - Em 1991 o movimento off-road começa a dar seus primeiros passos em Belém, quando alguns proprietários de jeeps, que se cruzavam pelo trânsito, resolveram se encontrar para combinarem as primeiras trilhas. Os encontros ficaram freqüentes e culminaram com a fundação do Jeep Clube da Amazônia, que depois de algum tempo dissolveu-se.
Hoje está de volta com outros sócios e nova configuração. Em 1998 alguns persistentes jipeiros remanescentes do antigo Jeep Clube da Amazônia se reuniram e fundaram o Jeep Clube do Pará. Nesses anos, o JCP vem desenvolvendo e incentivando a prática do off-road de forma técnica e responsável, visando associar o espírito de aventura e o descobrimento de novos caminhos e lugares, sempre valorizando e preservando a natureza. Para os jipeiros, é uma constante a interação com as comunidades locais, levando sempre uma mensagem de preservação do meio ambiente e ou participando de iniciativas que levem as essas localidades melhores condições de saúde, educação e cidadania.

Hoje o Jeep Clube do Pará conta com 52 associados, todos participantes das atividades desenvolvidas pelo grupo. Os associados se reúnem semanalmente e, a cada mês, fazem uma trilha diferente, descobrindo e desbravando lugares, num misto de turismo ecológico e aventura. "Fiquei encantando com o espírito de companheirismo e solidariedade que existe no grupo", conta Luis Otávio ao lembrar como se tornou um jipeiro. Segundo ele, esse espírito é que dá segurança na realização das expedições, onde todos se ajudam e trabalham em conjunto. O gosto pela aventura também é forte nos associados: "Nosso propósito é ultrapassar desafios, superar limites e vencer dificuldades", define o presidente do JCP.

Rosana Maciel
www.jeepclubedopara.com