
No norte de MT, gaúchos fazem o
verdadeiro
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Chamado de paco-paco, por causa do barulho, ele é feito com chassi de caminhonete e motor de máquinas agrícolas |
Por Rebeca Kritsch beckyk@ibm.net
PEIXOTO DE AZEVEDO - O verdadeiro carro popular brasileiro é produzido no norte de Mato Grosso. Custa entre R$ 4 mil e R$ 6 mil, dependendo do modelo, é movido a diesel e roda de 10 a 15 quilômetros por litro. Foi batizado com o simpático nome de paco-paco, pelo barulho que faz.
O paco-paco foi inventado no Sul do Brasil. Lá, ele se chama
gerico. Chegou a Peixoto de Azevedo e à vizinha Matupá pelas mãos dos gaúchos. Dois
deles, Astor Voos e Jair Graff, mantêm uma "montadora" de paco-paco nos fundos
de uma oficina mecânica. Estão há 12 anos em Mato Grosso, onde construíram 150 desses
automóveis. "É como uma fábrica, sai tudo igualzinho", diz Voos.
A tecnologia é simples. Sobre o chassi de uma caminhonete velha, eles instalam um motor estacionário, usado em máquinas agrícolas e nas áreas de garimpo. "A mecânica fica original do chassi", explica Voos. Podem ser os restos de uma C-10 ou de uma F-100. O sucesso do paco-paco nas duas cidades foi imediato. Havia garimpo na região e muita gente passou a improvisar os veículos com os motores estacionários que sobravam por ali. O garimpo acabou, mas os paco-pacos ficaram. Hoje, são usados para transportar madeira.
Eliseu Borghetti comprou o seu por R$ 4,5 mil. Com ele, faz frete e
sustenta a família. Carrega até 1.200 quilos de manilhas por viagem. O melhor do
paco-paco, na opinião dele, é que não dá problemas mecânicos. "Nunca quebrou na
minha mão", diz.
Graff estima que circulam entre Peixoto de Azevedo e Matupá cerca de 600 paco-pacos. Hoje, além deles, existe somente mais uma oficina produzindo o automóvel na cidade. Mas os dois gaúchos têm fama de fazer os modelos mais bonitos.
Há nas ruas todos os tipos de paco-pacos. Caprichados na pintura, de cabine aberta, com o motor à mostra, caindo aos pedaços.
A dupla gasta cerca de dez dias para montar e pintar um paco-paco. O
modelo mais caro é o de três cilindros. Permite alcançar a velocidade de 110
quilômetros por hora. Há ainda a opção de colocar tração nas quatro rodas, o que
pouca gente pede. "Aqui, eles preferem o simples", diz Voos.
O mais barato, na verdade. Aquele que anda, no máximo, a 50 km/h. É desses que se vê aos montes nas duas cidades. Quando se tem o azar de ficar atrás de um deles no trânsito, só resta mesmo apreciar os detalhes e a criatividade das nossas "montadoras" em Mato Grosso.
Extraído
do jornal O Estado de São Paulo |
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